T'es tu
perdu
souvent?
domingo, 13 de setembro de 2009
A menina e o tempo
17:49
Um dia, tudo parou. Os movimentos, as falas, os poemas haviam congelado. O que sobrara, neste mundo paralisado, era uma pequena garotinha que rodopiava, corria e brincava entre as estranhas figuras sem reação. A criança carregava consigo uma grande e pesada máscara, que quando posta sobre a face, acelerava novamente o dia. Mas isto a cansara, que alegria trazia carregar sobre suas feições o tempo do mundo? Por isso, não pensou duas vezes em tira-la, era mal aproveitado aquele conjunto de instantes, estava melhor assim. A partir da falta do “agora” era permitido fazer o desejado, nada diriam aquelas árvores sem frutos ou flores que ali estavam. Passou-se um tempo incontável, a máscara velha e rude fora a única companhia da miúda rainha sobre a planície imóvel, então parou. Paralisou-se como os demais, apenas a sua infantil mente maquinava. Queria algo, desejou incontrolavelmente um abraço das imagens fotográficas, perguntava-se como conseguir. Continuou e andou sob o céu pálido interrompido, entrelaçava seus braços nas frias estatuas mas, suas ações não preenchiam a necessidade. “Escondo-me e abraço-te ou afloro-me e morro.” Concluía tristemente a menina carente. Em passos firmes e ações agitadas, a máscara voltava ao seu lugar de origem. O sol então esquentava e os vultos reapareciam, tudo funcionava. Tristemente, a autora do tempo se excluía por trás da estranha figura que virara, esperando a doce mão dos sentimentos a puxar em um abraço e ali aquecer-se suprindo a necessidade vital de seu ser. E isto ocorreu? Já não sei eu, triste figura fui paralisada no momento me igualando ao ser infantil, que trocara o bem estar solitário por um vivo e tenro abraço.