quinta-feira, 27 de maio de 2010
14:05
Gosta de gostar
Das ruas vazias
Dos fins dos festejos
Das risadas varridas
Dos doces desejos
Gosta de gostar
Da falta de reação
Dos andares percorridos
Da falta de ação
Dos gostares corrompidos
Gosta de gostar
Do jeito diferente
Do que lhe conquista
Do todo decadente
De se perder de vista
Gosto de gostar
De palavras faladas
Do que não se vê
Das horas passadas
E até de você.
sábado, 15 de maio de 2010
08:47
Tango vou dançar
Claro, por que não?
Danço só se precisar
Sei de cor esta canção
Dei alguns passos
Se tropeço, quem vai ver?
Se caio, é nos seus braços
Aposto no amanhecer
Quando o silêncio cair
Meu bem, eu sei a hora
Se penso em desistir
Só então vou-me embora
Segure minha mão
Danço quanto precisar
Para ter sua atenção
Até o sol raiar
Me dê um sorriso teu?
Não quero muito, prometo
Já ouviu falar de meu?
Afirme e me derreto
No entanto eu vou calar
Há quem pare a melodia
Não me canso de esperar
Quem sabe algum dia...
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Nulo
15:20
Tive as noites clareadas por um sorriso triste que me invadia, as palavras acertavam-me o estômago e me chocava, em tudo houve um fim. As luzes da rua oscilavam enquanto um vento duro e cortante me abraçava continuamente, não era inverno mas, nunca houve frio tão rigoroso como este. Tua miragem desértica me chama para dançar a marcha dos desapaixonados, sorria como se o tempo não existisse, como se tivesse desaparecido qualquer sentimento. O nulo me assusta. O ódio mostra resquícios de um amor mal acabado, uma vontade de querer o que não mais existe, já o nulo afasta todas as almas crentes de amor puro, escondem suas faces pois o medo é mortal. O vácuo de agora é negro e sem som, apenas ecoa pontos finais sem continuidade.