T'es tu
perdu
souvent?
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Soldado da Tristeza
12:34

De mim mesmo, cansei.
O meu muito é tão pouco
Por um dia, já fui rei
Agora, sou tão oco

Há quem diga por aqui
Os erros que cometi
Mas é o destino a se tecer
Cavar a cova, onde morrer

Posso então, me desesperar
Ignore esses muitos prantos
Preciso então, me armar
Gelo-me para os tantos

Serei o guerreiro que não sou
Senti o sangue que derramou
Ao gritar, não me socorra
É necessário que eu morra

Está traçado meu destino
Perdoe-me se o fiz de escória
Se destruiu seus traços finos
Mas essa é minha história...



terça-feira, 24 de agosto de 2010
Seja sultil quando se for
15:43

"Do you recognize me
Here on this sleeper train
And do you feel the pain
Growing into the night, Mary
And I can feel the taste
Of your third birthday cake
Remember how it was
To hold you into my arms, Mary"


Rupert mantinha a flor apertada entre suas mãos. Estava parado sobre o meio fio, deixando com que seus pés cumprissem o trabalho de o equilibrar. Observava o movimento da rua, fixando logo seu olhar a um casal que descia a ladeira da rua principal, os saltos da bela moça de vestido vermelho batiam com força nos paralelepípedos pois ia apressada, seus olhos escorriam lágrimas negras que ao mesclar com seu batom, davam aparência horrível. Gaspard, o noivo, vinha atrás desajeitado, tentando toca-la qualquer região de suas costas para que assim a fizesse parar, logo conseguiu, choros e soluços se uniram numa bela sinfonia, não podia entender ao certo o que lá ocorria. Mas bem, era possível analisar a destruição de um amor, da alegria ao drama, como uma peça, uma ópera em seu ponto de climax. Rupert então desviou o olhar para a rosa em suas mãos, vivia no constante climax de não ter sua amada, mas eis que a rosa seria sua ultima chance, agora que Gaspard jamais poderia tê-la de volta, pobre Gaspard. Rupert enviara uma carta na noite anterior, dando detalhes sobre uma festa a qual dois amigos haviam ficado embriagados e a troco de mais um jarro de vinho deveria chamar uma dama para dançar, conquista-la, faze-la sua em uma só noite. Agora as mãos de Rupert apertavam os espinhos do caule, deixando o sangue manchar parte do presente, poderia ir lá, finalizar esse horror, ter o que necessitara sua vida inteira. Queria evitar o baile, a aposta de um jarro de vinho, evitar que Gaspard conhecesse a moça do vestido vermelho. Aquele descendo a ladeira devia ser seu melhor amigo, acompanhado de sua futura esposa, felizes em lhe ver, acenando alegres, não dois enamorados ao ponto de um desfecho catastrófico. A rosa em sua mão era a última chance de faze-la sua. Correu, correu até os dois mas logo brutalmente interrompeu seus passo ao ver o frágil coração de Gaspard. "Que fiz? Por egoísmo os destrui? A isso se baseia minha felicidade?" Pensou consigo. Puxou o jovem noivo para junto, entregou-lhe a flor e disse "É a que mais gosta, declare seu amor, entregue a ela, esse é o segredo". Então, Rupert viu o casal subir a ladeira, os saltos já não faziam barulho, o choro se transformara em risada, o fim em um recomeço. Rupert amara aquela mulher por mais anos que pudera contar, mas abrira mão de uma possessão para que visse sua moça de vestido vermelho feliz. Adeus, Rupert.



sábado, 14 de agosto de 2010
10:14

Sinto a cólera sobre meus olhos, fazendo as pupilas dilatarem e saltarem da orbita, podendo percorrer o corpo abatido, fadado aos destino da derrota, sendo seu próprio inimigo. O externo nada seria senão o empurrão final para o abismo, um toque a mais, um toque ao menos, da mesma forma cairia, sendo inútil a culpa. Mas, magicamente voe, preso no corpo de um pássaro bique as migalhas de lembranças, escolha algumas e as engula para que possa guardar apenas para si mesmo. Assim, quando a manhã chegar, possa caminhar junto ao sol rodeado de uma estranha felicidade, sentindo a doce chuva de cinzas lhe tocar os lábios. Então, poderei partir amanhã e sozinho descobrirá o quanto também me dói, e as instruções de nada me valem senão como o suspiro calmo contra golpes de um triste coração.