T'es tu
perdu
souvent?
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Horizonte
17:02
-Sinto falta.
-Sente falta de quê?
Ao ouvir a pergunta, seus olhos voltaram-se para o horizonte profundo atrás da janela enquanto seus dedos tocavam-a.
-O que está lá fora, Hector.
-Lá fora há tanta coisa, especifique.
Hector ajeitava sua gravata aos relances que observava a luminosidade próxima onde Joan se mantinha silenciosa.
-Aquilo que não posso alcançar, que está lá fora, Hector. Não vê?
Seus olhos estavam fixados em algum ponto desconhecido sobre o horizonte. Hector pensativo aproximou-se, de forma a tentar localizar o mesmo campo de visão da moça, pensando te-lo, pôde responder:
-Vejo o verde da grama, o azul do céu, o branco das nuvens, o cinza das estátuas e o brilho da luz solar. Que há nisso tudo que sente falta? Está tudo a sua disposição, apenas saia para o jardim. De que sente falta, madame?
-Neles há palavras que há tempos não posso decifrar. Se é que algum dia pude. Em tudo lá fora, há histórias vividas, sentimentos sentidos, coisas pelas quais quero passar mas não posso pois não sei decifra-las.
Hector espantado pelas palavras, não conseguia entender nada do que Joan falava, então decidido, perguntou novamente:
-De que sente falta, madame?
-Daquilo que nunca tive e nem ao menos senti.