T'es tu
perdu
souvent?
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
ATO I
11:43
Eu entrava no cômodo, ela me olha com desprezo. Mas não importava, porque nossos olhos irão se encontrar, como no trajeto de retas perpendiculares. Isso seria a introdução e daí em diante só teríamos climax climax climax, muitas confusões mas também aquela paixão reveladora. Seguiríamos, mais ou menos, a linha do soneto "Amor Total", aquela coisa de ser puro e animal, poderíamos ser realmente assim. A platéia se comoveria, mas ela não fica emocionada fácil. Se EU der um passo errado, ela ficará uma fera comigo, talvez me dê as costas por vários e vários dias. É preciso arrumar tudo para que nada seja previsto, se fosse outra peça, outra pessoa, teria a honra de expulsa-la imediatamente de meu ato, como já fiz com outros. Mas, eu também quero mostrar isso nessa cena, ela rasgou-me. Sim sim, exatamente. De cima para baixo, abriu-me, checou minhas entranhas e traçou meu mapa. Um mapa que nem eu saberia a existência - tenho de desenhar um desses. Vamos usar alguns elementos do Super Homem, de super não terá nada, mas ela será, digamos, a kriptonita desse enredo todo.