segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Illusion
13:24

Você, meu caro espelho, parado num canto, estamos a tanto tempo juntos, quase que como amigos. Sei que viu muito de mim, muito de meu tempo. Por que, então, não pode refletir as coisa que agora me agradam? Sorrisos convidativos, afagos mentirosos, as tais mascaras que me dirão como tudo vai bem. Pois aqui em meu interior sinto minha falha. Aquele maldito querer. Seria uma passo mortal recobrar minha velha consciência, espelho. Esse rachado em seu canto, foi de causa forçada, meus punhos, seu vidro, meu sangue. A música clássica que tocava ao fundo, ainda tenho aqui, meus olhos vidrados aos seus, ainda tenho aqui, meu punho ferido, seu canto ferido, ainda temos aqui. Então vamos, reflita a porta que quero entrar, me dê a sensação de que nela posso batê-la, e quem desejo a abrirá. Em um belo salão enfeitado poderei entrar, o lustre grande brilhará contra lábios vermelhos, secos, grandes, de todos os tipos. Vamos, me tire daqui um pouco... Antes que me falhe e eu não possa mais ver, nem ao menos, meu reflexo. Eu quero ser menos aqui e mais aí, meu caro espelho. Mais aí.