T'es tu
perdu
souvent?
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
A Explicação da Lua
17:40
A explicação da Lua
Para a pergunta do Sol
Não ecoava nas ruas:
Estava debaixo do lençol

Aquele que acompanhava
Todas essa iluminação
Da noite fria, ao dia quente
Lhe tocava o coração

A Lua, então, cochichava
Que o seu amor encontrara
Mas esse era tão distante
Parecia impossível o alcance

Mas essa foi interrompida
Pelo lençol que entoava
A velha canção dos amantes
De nós em eu se transformava

Era recíproco todo o sentimento
De paixão, amor e de tormento
Tão grande era a união
Que triste era a tentação!

A Lua, a alma do Sol, queria beijar
O Sol, o coração da Lua, tomar
O lençol, seus recados recebia
Sentia deles, a eterna agonia

Então um dia, numa noite quente
O Eclipse veio o céu tomar
Explicou que a Lua daria tempo
Para até o Sol alcançar

Lá foi a Lua ao seu destino
Pois tudo o que queria
Era para o Sol explicar
Dúvida: "Por quê me amar?"

"Se fácil fosse o grande amor
Não teria como lhe mostrar
Que apesar dessa dor
O que mais quero é me apaixonar

O lençol me traz seu calor
Trago para mim como um abraço
Esfrio os grandes panos
Para que criemos certo laço

Minha frieza, teu calor
Tua luz, minha escuridão
Nesse ciclo vital
Está minha redenção"



quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
05:12

Arrastei a pesada porta de madeira, para que assim a luz solar adentrasse o velho cômodo abandonado, o iluminando enquanto tive a chance de ultrapassar a poeira e me encontrar dentro de um grande jardim. Folhas velhas e novas caiam por entre o capim alto, as paredes da casa enchiam-se de plantas trepadeiras, pude perceber que o dono havia partido já fazia muito tempo. Senti a ponta de meu pé bater em algum tipo de pedra, olhando melhor, pude ver um banco tomado pela vegetação, passei minhas mãos pelo assento, retirando a sujeira, logo me sentando. Parado ali, pude observar calmamente um ambiente que por muito tempo deixei trancado, abrangia um grande área, toda tomada pelo descuido humano. Meu descuido humano. De repente, da janela mais alta da edificação próxima, lançou-se uma luz de um projetor sobre mim, envolvendo meu corpo em milagrosas imagens que pareciam combinar com as estrelas do céu. Passara videos, fotografias de passados que até pouco pareciam distantes, de pessoas as quais já não mais conhecia, o que me incluía. Foi então que tive a grande revelação de me sentir parte daquele lugar, tão abandonado, tão descuidado, tão preso em velhas ervas daninhas... Surpreso e inconformado levantei-me e assim fui a procura de qualquer objeto que me ajudasse a limpar o local. Ao encontrar, passei a maior parte da noite a arrancar espinhos e daninhas, deixando novas plantas, estátuas e bancos respirarem. Mas que bonito aquilo era ao amanhecer! O sol quente e confortável invadia cada canto que um dia já fora escuro. Visto que minha tarefa já estava feita, me retirei do jardim prometendo sempre retornar para que se mantivesse no estado atual. Percebi até que uma bela rosa me agradecia mas, imaginei estar tomado de delírio pela noite sem dormir. Ultrapassei a casa, e então cheguei à rua, voltei aos meus passos apressados mas em divertidos tons de sapateado. De forma alguma olhei para trás, soube que uma vez arrumado, o jardim traria sua bela alegria de volta, assim também meu próprio eu.